Organização semanal

domingo, 17 de setembro de 2017
Cá estava eu, como todo domingo, organizando a semana que vai vir, quando parei pra pensar no quanto isso me deixa bem. Tem quem ache que organizar nossas tarefas é perda de tempo ou que nunca vai conseguir manter uma agenda - ou planner ou qualquer nome que você dê pra isso. 

Reparei que a maior parte do meu stress, especialmente no final do semestre letivo, era fruto da falta de organização. Não que eu seja a deusa do bullet journal, mas desde que comecei a anotar o que precisava fazer na semana - e especialmente no dia -, as coisas fluíram muito melhor. 

Quero compartilhar com vocês duas atitudes que me ajudaram a manter minha sanidade mental na universidade (rindo de nervoso, mas é real). 


1) Planejar a semana dá um quentinho imenso no coração.

Eu escolhi organizar minha semana no domingo porque tenho aulas de segunda à sexta. A impressão que dá é que subo num helicóptero e fico sobrevoando a semana futura, olhando com um binóculos as coisas que eu vou precisar fazer em cada um dos 5 dias. 

O procedimento é: eu pego o plano de ensino das disciplinas que eu tô cursando e vejo o que vou precisar ler - se eu vou precisar mesmo ler, se é que me entendem - e vou anotando sempre pro dia anterior daquela aula. Se for um conteúdo extenso, separo outros dias pra adiantar a leitura e não me sobrecarregar. E, claro, tem coisa que vejo no plano de ensino, dou aquela risadinha e falo ATA (o que nos leva ao próximo item).


2) Não se cobre de forma desumana. Você não é um robô e nem tudo está sob o seu controle

É muito importante saber seus limites. Tem dia que tenho texto de 50 páginas pra ler, mas por conta de outras tarefas não consigo ler até o final - ou mesmo começar a ler. Isso não significa que não me organizei direito, mas sim que as coisas da vida não pedem licença pra existirem. Elas não pegam carona no helicóptero com você. A menos que você tenha 40 horas por dia, é humanamente impossível concluir todas elas em determinados dias. 

Não deixe de comer direito ou dormir bem porque tem um monte de coisas pra fazer. Eu prefiro não ler um texto do que passar a madrugada lendo, não entender nada, dormir pouco e acordar cansada. Vai ter professor que vai falar um monte, mas foda-se né meninas, afinal quem compra meus chás de camomila e tapetinho de yoga depois sou euzinha. 

É uma prova de amor próprio quando você diz pra si mesma que não vai conseguir dar conta daquilo e se permite descansar. É um carinho com quem somos, sabe?


***

Uso um planner desde janeiro, que comprei na Meg e Meg, mas já usei vários outros antes, inclusive gratuitos. Sou apaixonada pelos planners do blog Não me mande flores e vivo indicando pros migo baixarem, imprimirem e encadernarem, processo que deu menos de dez reais quando fiz. Não espere ter agendas incríveis pra começar a se organizar. Milhares de stabilos e post-its não são pré-requisito pra manter uma rotina mais saudável.

Sobre ter um lar

quinta-feira, 14 de setembro de 2017
Era pra eu estar lendo texto de teoria do jornalismo agora, mas bebi muito café e tô inspirada a ponto de escrever e publicar um livro hoje mesmo - ou sei lá, abrir uma loja online de aquarelas que eu faria hoje antes de dormir mesmo nunca tendo feito nada do tipo. Isso acontece com vocês também? 

De qualquer forma, senti vontade de escrever aqui. Mais especificamente, escrever sobre como tem sido acolhedor finalmente ter um lar. 

Há dois anos e dois meses eu deixava o lugar onde vivi meus, até então, 21 anos. Encaixotei livros, roupas, objetos e vim pra outro estado. 

Durante muito tempo me cobrei de desapegar de lá. Mesmo assim, minha cabeça permaneceu em Santos por muito tempo, até eu acostumar que tava morando aqui e era aqui onde eu devia focar minhas energias. O que eu não percebi era que isso não dependia apenas de mim. Eu morei a maior parte desse tempo em uma pensão. Foi bom, vivi coisas boas lá, mas não era meu lar, entende?

Agora eu tô morando com meu companheiro. Ele resolveu vir pra cá sem saber ao certo o que faria quando chegasse. Também encaixotou as coisas dele e pegou o catarinense das 21h19 do dia 28 de janeiro desse ano. Resolvemos dividir um mini apartamento pra ver no que dava e eis no que deu: finalmente me sinto em casa. 
Em abril, viajei pra casa dos meus pais pela primeira vez desde que o Vini tinha vindo pra cá. Achei estranho sentir saudades daqui e me surpreendi ao me referir à "minha casa" como sendo o apartamento que a gente tava dividindo e não mais o apartamento dos meus pais. Não por estar vivendo com meu companheiro afetivo, mas por estar dividindo um lugar com uma pessoa que é minha amiga e por ter construído isso com ela, mesmo que inconscientemente. 

Falar nos meus pais me leva à outra reflexão, que tem tudo a ver com essa sensação de pertencimento. Eles saíram do apartamento onde moraram por treze anos - e onde eu morava antes de me mudar também - e foram viver com meus avós, na mesma cidade. Se eu paro muito pra pensar nisso, com um elvis no fone de ouvido, dá uma leve angústia, porque sou muito apegada às coisas materiais e é bizarro não ter mais aquele espaço pra voltar, ainda que fosse nas férias. Mas se paro pra pensar nisso racionalmente, me sinto leve. Afinal, eles pegaram tudo o que tinham - inclusive eles mesmos - e levaram pra outro lugar, onde vão construir novas lembranças. E, no final das contas, nosso antigo apartamento se transformou apenas em um conjunto de cimento e azulejos, porque quem fazia dele uma casa era a gente. 
Minha concepção de lar ganhou um novo sentido. Achei que nunca mais fosse me sentir em casa depois de sair da cidade natal. Creio que por isso foi tão difícil me desprender de lá. Não era apenas saudade da família, mas medo de nunca mais sentir que eu pertencia a algum lugar - afinal, é uma viagem sem volta. 

Hoje o melhor momento do dia é chegar em casa depois do estágio, tomar banho, passar um café e me deparar com a minha cama. Eu me acomodo em meio ao edredom e travesseiros, pego o meu notebook e me sinto acolhida. É tão bom. 

Dos últimos dias

terça-feira, 12 de setembro de 2017
Ando lendo muitos blogs pessoais e senti saudade de escrever num estilo mais diarinho. Isso me permite postar aqui mesmo quando eu não tiver um assunto incrível que vai mudar a vida de vocês na cabeça. So, let's dale.


Ontem eu peguei o famigerado trânsito pra voltar do estágio pra casa. Não havia nada pra fazer dentro do 137-Pantanal Norte além de terminar de ler Memoria de mis putas tristes, do Gabriel García Márquez. Não se compara a Cem anos de solidão, mas peguei emprestado na biblioteca da universidade porque tô querendo aprender espanhol. Foi bem fácil ler, mesmo que eu não saiba falar nada além de mi casa su casa shakira shakira. 

Como deu pra notar, tenho me dedicado a aprender espanhol. Baixei o Duolingo, que é um app bem prático pra quem não tem muito tempo. Dia desses eu entrei no letras.terra e aprendi um monte de música - ainda preciso ler a letra, mas pelo menos agora vai sair algo legível da minha boca quando eu tiver nas festinha. Sem contar que aprendi outras músicas da Shakira - o que considero um nível levemente elevado.

Há alguns dias, terminei de assistir Master of None e meu deus do céu que série socorro. Até 80% da segunda temporada, era apenas um seriado tranquilinho pra assistir de boas depois de um dia árduo pertencendo ao proletariado nacional, mas O QUE FOI O FINAL DA SEGUNDA TEMPORADA? Se alguém também viu, por favor, me abraça. Preciso falar melhor sobre essa série - e sobre o livro do Gabo também -, talvez no próximo um de cada, ou numa resenha separada pra cada um.

Acho que dá pra encaixar nesse resumo uma coisa que achei que nunca fosse dizer nessa vida: comecei a academia. Sempre foi um ambiente do qual não me via parte - eu era o tipo de aluna que levava mp3 com hits emo pra aula de educação física pra ouvir escondida atrás do muro. Acontece que esse ano eu mudei bastante a forma como lido com minha alimentação, então achei coerente começar a me exercitar também. Tentei começar a correr na pista de atletismo que tem na ufsc, mas quando chovia era complicado ir. Foi quando minha mãe me ligou pelo whats. Mariany, vai logo se matricular na academia. Tabom, eu respondi. No dia seguinte, já tinha feito aula experimental e tudo. Fui tão bem recebida e me senti tão bem depois que saí de lá que sinto que minhas bads não voltarão tão cedo. 

Ah, tenho ouvido isso mais do que achei que fosse ouvir. E isso aqui também. Obs: nunca gostei dessa cantora. Mas. Gente. Não tá tendo como.

De resto, acabei de passar um café muito fraco, mas tô com muita preguiça de fazer outro.