Sobre abraçar a si mesma

quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Tenho apreciado bastante a minha própria companhia nos últimos dias. Isso vai além de ver graça nos cafés que eu tomo sozinha. Sinto que a conexão que tenho com quem eu sou tem aflorado de um jeito muito bonito e me fortalecido muito enquanto ser humano. Ter consciência do bem que isso me faz não significa me isolar do mundo ou me fechar às pessoas que amo. Significa apenas que se qualquer coisa der errado nessa vida, ainda terei eu e isso vai bastar. 

Semana passada, fui matar um tempinho na livraria do centro antes de dar o horário da terapia. Fui à seção infantil ver se eu achava algo pra minha prima. Não achei. Fui até a parte dos quadrinhos tentar encontrar algo pro meu namorado. Nada. Então, como se eu mesma me desse uma bronca, pensei: "por que você não simplesmente compra algo pra si mesma?". Foi o que eu fiz.


Achei um livro de capa chamativa. A princípio recuei, porque me pareceu bem bobinho. Li a sinopse, a primeira página, dei uma folheada rápida e gostei da calma que aquele momento me trouxe. A universidade te faz se acostumar a ler coisas muito densas e complicadas. Muitas delas são ótimas, fazem teu cérebro meio que expandir, sabe? Mas nesse momento, às vésperas das férias de verão, achei sensato ler algo mais leve.

Não só comprei um livro, como também me dei de presente um caderninho para fazer de sketchbook. Ainda não comentei aqui no blog, mas eu sempre amei desenhar. Tenho um potão cheio de lápis de cor, alguns da época do pré. Refletindo comigo mesma, reparei que desde que comecei a me relacionar com o Vini - que é ilustrador -, fui me afastando dessa atividade, que sempre me inspirou tanto. Nessa onda de focar em mim, resolvi voltar a desenhar. Quem sabe eu não compartilhe aqui minhas artes?

Era pra ser uma carta

domingo, 19 de novembro de 2017
Em março de 1989, meus avós se mudaram para o apartamento 97 de um conjunto habitacional em Santos. Minha vó ficou doida porque o prédio era de frente pro cemitério, mas meu vô levou numa boa e até hoje faz questão de dizer que mora de frente pro futuro. 

No apartamento ao lado, de porta vinho, vivia um casal que alguns anos depois teria uma filha, a Dessa. Eu nasci cinco meses antes dela e, desde que ela surgiu no mundo, somos amigas. Na época, ela cabia na palma da mão de seu pai, porque resolveu que de algum jeito seu signo seria escorpião e pra isso teve que antecipar seu nascimento. 

Crescemos juntas, mesmo nos momentos em que não estivemos tão próximas. Aprendemos a andar, a falar, a ler, a cantar, a dançar e a falar mal dos crush. Compartilhamos nossos gostos, ficamos de mal, ficamos de bem e jogamos objetos pela janela com a inocência de que a outra ia conseguir pegar do outro lado, no 9º andar do prédio. 

É tão incrível ver que a amiga com quem cantei evidências no karaokê do dvd da minha vó e inventei coreografias de hits antigos da Britney Spears hoje é uma adulta tão incrível - mesmo que o segurança dos pubs ainda peça a identidade pra ela. É incrível ver como nossos caminhos, ainda que tenham se separado devido à distância, continuam tão próximos.

Hoje, sinto que existe uma sintonia entre nossas mentes que de alguma forma nos faz refletir sobre as mesmas tretas antes mesmo de contar uma pra outra. Às vezes, basta eu olhar pra ela diante de alguma situação e pra ela sacar direitinho o que eu pensei naquele momento. Mesmo longe, quando vejo que tem áudio de 5 minutos no whatsapp, preparo até um chazinho porque sei que aquele não será o único. 

Quero registrar a minha mais sincera gratidão por todas as broncas e pelos milhares de "se tu for trouxa vou dar na tua cara" que ela me disse; pelos cafés, pelas tardes mofando juntas no sofá e pelas festas que fizeram a gente berrar dançando as músicas da nossa adolescência; pela ajuda que ela me deu para que eu aprendesse espanhol o mais rápido possível e pelo "ah, foda-se, vai ter outra oportunidade" que ela me enviou quando eu disse que não tinha passado no intercâmbio; pelas risadas de doer a barriga e pelos momentos em que não pudemos dizer nada além de um "aff"; pela alegria do caralho que a gente sentiu quando uma viu a outra passar no vestibular na mesma época; pelos infinitos "eu só acho engraçado que..."; pelos rolês que a gente chegou cedo e viu que só tinha a gente na fila; pelos abraços e por todas as conquistas dela, que também são minhas.

Quando eu era criança e minha mãe dizia que conhecia tal pessoa há vinte anos, eu achava o máximo. "Vinte anos é muito tempo", eu imaginava. Hoje, quando penso na minha amizade com a Dessa, me vejo na fala da minha mãe: tenho uma amiga há 23 anos.

Era pra ser um presente de aniversário focado só na Dessa, mas acabei falando mais da gente. Parando pra pensar, até que isso faz sentido. Afinal, todo aniversário dela é também aniversário da nossa amizade. 

Um tempinho só pra mim

terça-feira, 14 de novembro de 2017
Tem vezes que meu cérebro parece que vai explodir de tanto que eu penso - acho que dá pra notar isso em como conduzo minhas ideias em alguns textos aqui. É importante refletir sobre nossos medos, inseguranças, tristezas e outros sentimentos que nos deixam pra baixo, mas ainda mais importante é saber quando fazer isso. Tudo bem não querer pensar em certas coisas agora. 

Tenho me cobrado menos. Aprendi que certos dias só pedem um pouco de tranquilidade. As coisas* não vão ficar bem resolvidas o tempo todo. O ponto final que eu dou para muitas delas de repente vira uma vírgula e eu me vejo perdida em assuntos que eu já havia resolvido há tempos. 

A gente acha que só vai alcançar a liberdade plena quando se forçar a desconstruir milhares de coisinhas que a sociedade botou na nossa mente desde que a gente nasceu. Era nisso que eu acreditava e por isso vinha me forçando muito a buscar meu eu interior, como se isso fosse possível. Foi quando eu descobri que na real eu sou uma cebola: vou descascar camada por camada e, no fim, vou sumir. 

Tá, faz bem tirar alguns pesinhos - e repensar muitos preconceitos, principalmente. Tem coisa que não dá pra deixar pra depois. Só que tem outras que dá sim, especialmente se dizem respeito somente a nós mesmos. 

Sabe a liberdade que eu tanto buscava? Pois venha cá que eu vou contar um babado: não há sensação maior de liberdade do que perceber que nem sempre estaremos no momento certo para refletir sobre certas construções - ou simplesmente a fim de pensar nelas agora. 

Sei lá, às vezes me vejo botando uma energia do caralho em algumas coisas. Daí já não tava bem antes, o rolê piora absurdamente, tudo vira uma bola de neve e quando vejo só quero ficar na minha cama deitada ouvindo música triste. 

Aprender a dizer não é um exercício que deveríamos fazer não só com as outras pessoas, mas com a gente mesmo. "Não quero pensar nisso agora. Não vou focar minha energia nisso agora. Não quero. Não importa o porquê. Eu não quero". 

Tenho aprendido a lidar com isso há alguns dias e tô bem orgulhosa. Listei algumas coisas que tem me feito bem e me ajudado nessa tarefa. Notei que todas elas envolvem somente eu e conclui que isso diz alguma coisa sobre apreciar mais minha própria companhia, fortalecer minha autoestima e pensar em coisas legais para mim. Fica aí a sugestão: 

. tomar banho quentinho depois do trabalho ouvindo músicas que eu gosto; 
. tomar água fresca com frequência; 
. abrir a janela do quarto, olhar pro céu e respirar o ar que vem de fora; 
. ouvir a playlist "indie brazuca" do spotify; 
. pensar em coisas interessantes que quero fazer ano que vem, tipo começar aula de dança; 
. voltar a desenhar - ainda não voltei, mas só de pensar nisso já fico animada;
. lembrar que as férias estão chegando;
. anotar tudo o que tenho que fazer pra faculdade e deixar tudo organizadinho;
. preparar uma caneca de café/chá/toddy para beber enquanto vejo vídeos legais no youtube; 

Eis alguns vídeos que me deixaram feliz, tranquila, inspirada, animada:




* não gosto de usar a palavra "coisas" porque acho que é uma palavra meio pobre, mas achei coerente com o conteúdo desse texto eu não me cobrar de procurar substantivos mirabolantes. Vamos lidar com isso.