Um de cada

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Passei um café. Te ofereço uma xícara. Você diz que não, obrigada. Eu insisto. Você não quer incomodar. Não estraga o rolê, eu digo. Você bebe um gole e faz careta. Tá sem açúcar? Sim. Uma, duas, três colheres de mascavo.

Agora que já tá bebendo, vamos às primeiras indicações nesse novo espaço. Música, livros e filmes, porque como bom e complexo homo sapiens sapiens que sou, não basta que eu viva as coisas: preciso falar sobre elas. Criei a categoria "um de cada" pra recomendar o que me inspirou nos últimos tempos, sem me aprofundar muito. Vai ter dia que só vou indicar filme e livro, mas em outros vou estar inspirada de tal maneira que vou indicar até marca de sabonete. Pois bem, vamos ao que interessa!

Colossal filme
(trailer)
Achei esse filme super por acaso, enquanto viajava nas internets. Não saquei o assunto da trama pela sinopse, mas resolvi assistir porque gostei do pôster.

Gloria tem por volta dos 30 anos e está em uma fase conturbada de sua vida: expulsa da casa do namorado, viciada em álcool e sem ideia do que fazer da vida. De repente, um monstro imenso ataca a Coreia do Sul e, acompanhando pela televisão, a protagonista nota semelhanças entre ela e a criatura.

Juro que pensava que era só mais uma comédia pra assistir deboas, comendo aquela pipoca esperta, mas eu estava completamente enganada. Até a metade do filme, eu tava meio perdida, questionando "qual é a desse monstro, afinal?". Quando me dei conta, me vi inteiramente na personagem principal: eu estava diante de uma metáfora de relacionamento abusivo, me sentindo muito contemplada.

"Por que você não sai logo desse relacionamento?" e "nossa, parece até que essa mina gosta de apanhar" são frases muito ouvidas por quem enfrenta esse tipo de relacionamento alguma vez na vida. Pois bem: tiveram que inventar um filme de um monstro surreal que ataca a Coreia do Sul pra mostrar pra essas pessoas o quão difícil é se libertar desse tipo de situação. Fica a reflexão.

No mais, clique aqui e confira minha reação ao perceber que a protagonista era interpretada pela Anne Hathaway.


Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios | livro
CAPA DO LIVRO | FOTO QUE TIREI NO DIA QUE TERMINEI A LEITURA 

Um minuto de silêncio para apreciar o título desse livro.

Pronto.

Já tinha ouvido falar dessa coisa linda há tempos, mas era apenas mais uma das milhares de sugestões de leitura aguardando para serem compradas/ganhadas/emprestadas. Eis que me deparo com esse livro bem na minha frente, numa das minhas visitas à biblioteca da universidade. A impressão que deu foi que ele chegou pra mim incorporando Pabblo Vittar, gritando "chegueeeeeeei, tô preparada pra atacar". Atacou meu coração, meu tempo livre, meu sono, socorro, que livro incrível. Pretendo escrever uma resenha somente pra ele, então aqui vão apenas alguns comentários.

"Numa pequena cidade do Pará, repleta de garimpeiros, comerciantes inescrupulosos, prostitutas e assassinos de aluguel, o fotógrafo Cauby se envolve com a misteriosa e sedutora Lavínia, companheira¹ de um pastor evangélico que a tirou das ruas e das drogas." | sinopse que está no livro.

Eu gosto de uma história de amor bem criada, mas como as minhas definições de relacionamento afetivo estão sendo constantemente atualizadas, dificilmente alguma narrativa sobre amor me prende tão facilmente. Sempre acho tudo muito idealizado, irreal, clichê. Daí me vem Marçal Aquino e me surpreende com uma maravilha dessas em forma de livro, narrando uma história de amor realista, de um jeito incrível - sério, a forma como ele conduz os parágrafos é foda demais! -, acabando com nosso coração e deixando a gente com os olhos brilhando.

Em breve, a resenha completa.

¹ na sinopse, está escrito 'mulher', mas alterei porque achei tosco né meninas.


Everything Now (Arcade Fire) e For Crying Out Loud (Kasabian) | música

No ítem música serei obrigada a indicar não uma, mas duas coisas (já comecei o primeiro post burlando as regras, mas para que servem as regras senão para que a gente acabe com elas, não é mesmo?).

Gente, uma pergunta: o que tá acontecendo nesses dois últimos meses? Cada dia que entro na página inicial do youtube, bem uma bucetada de banda que eu gosto lançando álbum novo. Clipe novo do The Killers todo dia, música do Radiohead sendo remasterizada, novo álbum do Phoenix... Assim não dá tempo de eu aprender a cantar tudo direitinho no letras.terra.com.

Vamos focar em duas coisas incríveis: novo álbum do Arcade Fire e do Kasabian.


Sobre Arcade, acho que não precisa falar nada, afinal, é Arcade, né? Estrelinha de ouro para as faixas "Put Your Money On Me", "Creature Comfort" e "Good God Damn".

Sobre Kasabian: eu conhecia pouca coisa deles e foi nessas férias que eu fui cativada pela banda. Estava eu e a Dessa na Cultura - obviamente no domingo, porque somos rolezeiras e resolvemos passar o dia na Paulista -, quando começou a tocar uma música top. Pensamos "que música top" e ficou por isso mesmo. Daí começou outra música boa demais. Uma olhou pra cara da outra com aquela famosa feição de "por que a gente ainda não perguntou pra moça do caixa que playlist é essa?". Eis que era o novo álbum dos caras. E que álbum! Estrelinha de ouro para "Wasted", "III Ray (The King)" e "Sixteen Blocks".


Charlottesville É Aqui: Por Que O Brasileiro Acha Que É Diferente Do Americano?| texto

Para finalizar o post, vou deixar aqui o texto incrível da Joice Berth sobre a relação do que ocorreu em Charlottesville e o que ocorre diariamente no Brasil. Tudo o que posso dizer sobre esse texto é: aaaaaaaaaaaaaa. Clique em "O racismo brasileiro é sonso e indulgente. Covarde e dissimulado. E isso o torna ainda mais perigoso" para ler.

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 23 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo muito café. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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