Ainda pode falar de 2017?

sábado, 6 de janeiro de 2018

Hoje fez sete dias que minha vó faleceu. Perder alguém que amamos muito só evidencia o quanto somos pontinhos no universo. É tudo tão grande lá fora. Eu poderia escrever um texto todinho sobre o que isso tem significado pra mim, mas achei mais bonito usar esse episódio como gancho pra relembrar as coisas legais que aconteceram no ano passado. Ter acompanhado um pedaço da existência da minha vó, inclusive os últimos três anos em que esteve acamada, me fez ter ainda mais certeza do quanto eu preciso aproveitar cada momentinho dessa vida. Não tenho dúvidas de que ela ficaria orgulhosa em me ver trilhar meu caminho lidando com as dificuldades e vivendo o que há de mais bonito nesse mundo. 


Comecei a morar com meu namorado
Saímos de um relacionamento a 700km de distância para um namoro sem distância alguma - a menos que se considere a sala e o quarto como ambientes suficientemente longe para os momentos de stress e choradinhas básicas. Dividimos o aluguel de um pequeno apartamento perto da universidade e aprendemos juntos as dores e alegrias da vida adulta. Eu amo de uma forma inexplicável o que a gente tem construído juntos e me dá uma paz danada lembrar que esse ano continuaremos tendo um ao outro para assistir série antes de dormir - e para fazer chazinho quando o outro der pt depois das festas da faculdade.


Parei de tomar pílula anticoncepcional
Eu morro de medo de ter nenens e parar de tomar pílula nunca foi uma possibilidade na minha cabeça. Até que, com a ajuda das internets, descobri que era hora de estudar mais sobre meu corpinho e parar de por hormônios desnecessários pra dentro dele. Tenho me sentido muito levinha e os efeitos só tem sido positivos. Recomendo muito esse site!


Comecei a me exercitar
Essa meta sempre foi deixada de canto, mas esse ano resolvi mudar. Fiz um semestre de yoga na faculdade e em setembro comecei musculação. Academia nunca foi um ambiente no qual eu me sentia bem vinda, até que percebi que não precisava de ninguém me dando boas vindas e resolvi me matricular. Superei qualquer limitação boba que eu havia construído durante os anos, como me achar ridícula com roupa de academia e ter vontade de rir fazendo exercícios com poses bizarras. Notei muitas mudanças em mim, principalmente na disposição pra fazer minhas atividades diárias - como subir a ladeira da rua de casa, que subo correndo quando volto da academia e me sinto no meu clipe.


Escrevi minha primeira reportagem
Em junho, resolvi produzir uma reportagem multimídia sobre mulheres que são mães e estudantes, como trabalho final da disciplina de Redação IV. Para isso, contei com a ajuda de pessoas incríveis - tanto as fontes, como minha família que custeou minha viagem até Santos para que eu entrevistasse uma amiga. O resultado tá aqui e eu amei. 


Fotografei manifestações
Eu sempre soube que amava fotografia, mas aplicar essa paixão ao jornalismo foi incrível. Fui estagiária de uma empresa de assessoria e foi uma experiência maravilhosa poder gritar fora temer enquanto clicava rostos e gestos. 


Cortei o cabelo bem curtinho
Depois de passar pela transição capilar e sentir meu cabelo passando dos ombros, resolvi passar a tesoura e doar os cachinhos para quem precisasse. Foi uma das sensações mais incríveis abdicar de uma das coisas que mais alimentava a minha autoestima, porque percebi que sou maravilhosa de qualquer jeito. Sem contar que tem sido muito bom sentir o cabelo crescer aos poucos, cuidando dele com muito carinho em todo o processo. 


Aprendi que preciso respeitar meus limites
Mais do que isso: percebi que não há problema nenhum em ter limites. Durante muito tempo eu alimentei a ideia de que eu precisava desconstruir tudo o que eu havia construído na vida. O único detalhe que eu não notei era que nem tudo precisava ser repensado. A vida ficou muito mais leve quando eu me permiti parar de pensar tanto o tempo todo, sabe? "Por que você usa aliança?" "PORQUE EU GOSTO EU AMO VEM CÁ VAMO DANÇAR". 


Comecei a fazer terapia
Tá por último, mas a importância que isso teve na minha vida é inexplicável. Eu tô amando todo esse cuidado que venho tendo comigo mesma nos últimos meses e o bem que isso tem me feito. Com a ajuda da minha psicóloga, tenho percebido coisas que nunca imaginei serem tão impactantes. Inclusive essa coisa de 'aprender a respeitar os limites' foi algo que só descobri conversando com ela. Além disso, eu sempre passo em algum café antes de conversar com ela e em uma dessas passadas eu descobri que amo waffles com leite condensado.


Em 2017 também teve matrícula em curso de comunicação e gênero e rolê não planejado em São Paulo na casa da amiga-irmã; foi o ano em que eu me vesti de Bellatrix Lestrange para uma festa a fantasia; que eu escorreguei numa festa do jornalismo porque eu corri pra dançar bum bum tam tam do MC Fioti; que eu levei cobertor para assistir Titanic ao ar livre na faculdade; que eu comprei meu primeiro celular com câmera frontal; que eu estudei espanhol loucamente para conseguir vaga em um intercâmbio para o Chile - no qual fiquei muito orgulhosa de ter chegado à segunda fase; que eu conheci um monte de praias na cidade onde escolhi viver; que eu trancei o cabelo; que eu desci incontáveis vezes em pontos de ônibus anteriores ao meu para fugir do trânsito e tomar café com o Vini; que eu aprendi a fazer guacamole; que eu me senti corajosa e forte. 


MANIE'S 2017 AWARDS 

Filme: La La Land
Livro: Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios | Marçal Aquino
Música: Varanda suspensa | Céu
Série: Um Maluco no Pedaço
Comida: guacamole com nachos
Lugar: Friends Coffee (um café/bar com karaokê em Florianópolis)


ALGUNS OBJETIVOS PARA 2017:
voltar a desenhar
utilizar meu bullet journal
me matricular no pilates
aprender aquarela
continuar na academia e na terapia
pegar disciplinas legais no próximo semestre
visitar amigos que moram longe pois agora tenho ID Jovem


***

É estranho como 2017 teve significados parecidos para muitas pessoas com as quais eu convivo - ou mesmo os migo que eu acompanho nos blogs e vídeos. Parece que estamos na mesma sintonia. Vocês também sentem isso? 

Foi um ano difícil e talvez eu tenha chorado muito mais do que eu achei que fosse chorar, mas eu aprendi tanto! A sensação é tão gostosa. Saber que sou incrível e que posso superar coisas que jamais imaginei me dá mais vontade de fazer tudo o que eu amo. Cheguei no dia trinta e um de dezembro com uma sensação de dever cumprido e uma ânsia imensa para viver tudo o que dois mil e dezoito tem para me oferecer. Pois que seja assim!

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 23 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo muito café. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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