quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Livrarias bonitas: angústia, inspiração e desespero

Quem me acompanha lá no instagram deve ter visto que eu viajei pro Rio de Janeiro com meu companheiro na semana passada. Foram dias maravilhosos, apesar de termos nos cadastrado no Bike Rio e não conseguido pegar nenhuma bike livre pra pedalar bem ricos na ciclovia das praias. Tomamos sacolé, fizemos compras no Saara, bebemos na Lapa, pagamos pra fazer xixi em Copacabana. Enfim, muitas emoções.

Mas não é sobre a viagem que eu vim falar (pois já resumi ela bem bonitinho na legendas das fotos do insta) e sim sobre um lugar em específico dessa viagem, do qual não tirei foto). Em Botafogo, na rua Voluntários da Pátria nº 97, tem uma livraria chamada Livraria da Travessa. Se você é louco por livros e adora um cafezinho, provavelmente vai ter um pequeno infarto quando entrar lá. 

Como tudo em Botafogo, nada dentro daquela livraria era barato. O expresso tava 6 reais e os livros eu nem vi o preço. Mas não fui pra comprar nada. Fui porque eu costumo sentir uma mistura de sensações quando entro em livrarias desse tipo. A inspiração aumenta num grau tão grande que se transforma em angústia - uma angústia boa, se é que existe. Uma vontade de guardar toda a motivação adquirida naquele espaço e usar pra fazer as coisas que precisam ser feitas. E um desespero porque você não quer sair dali pra externalizar tudo aquilo. 

Começa pela luz amarelada. Mano do céu, como eu amo luz amarelada! Dá vontade de abraçar a lâmpada, as poltronas tudo, pegar minha máquina de escrever e dali sair um best-seller. 

"Quando surgiu a ideia de escrever esse romance?" 
"Ah, era um fim de tarde de verão e eu fui a uma livraria ali em Botafogo, sabe?"

Depois tem o cheiro de café que eu bebi meio que de tabela. Café bom demais. Devia valer os seis reais. Eu olhava pra cima e via pessoas sentadas nas mesas, conversando sobre as mais variadas coisas entre um gole e outro. Fiquei montando histórias sobre elas na cabeça. Imaginei o que falavam, os problemas pelos quais passavam, seus sonhos. 

Caminhei várias vezes, de um lado ao outro - e olha que a livraria é grande. Passei mais de uma vez pela seção do Gabriel Garcia Márquez e fiz carinho umas três vezes na edição especial de Cem anos de solidão. Parei por alguns minutos em uma bancada destinada somente à literatura feminista e toda mulher que parava ali eu sentia uma coisa boa, sabe? Dava vontade de dizer "que bom que você tá aqui também!". 

Vi um senhor sentado numa das poltronas próximas à seção de romances históricos, mas não consegui ver qual livro ele lia. Parecia morar ali perto e super imaginei ele descendo todos os dias só pra não ler sozinho em casa. Imaginei se ele realmente morava sozinho. Devia ser aposentado. "Será que ele também gosta do cheiro do café que eu tô sentindo?".  

Encontrei vários livros que eu gostaria muito de ler e anotei eles todos mentalmente. A ideia é justamente essa: se não tiver na BU, nem em sebo, compro pela internet. Desculpa dona/dono da Livraria da Travessa, se você estiver lendo esse texto, mas eu sou uma mera estudante que já havia gastado todo o dinheiro da viagem e ainda precisava jantar. Não boicotem a livraria, se vocês puderem. Mas se vocês forem como eu, que não tinha trinta reais pra gastar em livros naquele momento, visitem livrarias pelo simples prazer de estar em uma. Faz um bem tão grande!

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 23 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo muito café. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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