quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Sobre férias, maturidade e voltar à rotina

Depois de dois meses de férias na casa dos meus pais em Santos, finalmente voltei pra casa. Nessas semanas, eu devo ter sentido mais coisas do que senti em todo o ano que se passou. Uma coisa acontecendo atrás da outra. Das mais tristes, às mais alegres. No meio de todas elas, eu, tentando manter a calma e aproveitar o que tava ali pronto pra ser vivido. Teve dia que não deu, mas esses foram poucos. 

O que mais martelou na minha cabeça foi uma guerra entre 'meu deus do céu, já tenho 23 anos e tô aqui de boaça na casa dos meus pais vendo netflix' e 'eu precisava muito desse tempo'. No fim das contas, a segunda sensação venceu e me soou a mais coerente. Pedi demissão de um emprego que tava me dando certa estabilidade só pra poder passar todo esse tempo perto da minha família e tenho certeza de que não poderia ter tomado decisão diferente. Foram dois meses essenciais para a construção da paz que eu tô sentindo agora. 

Agora acabou. Pegamos o ônibus na noite do último sábado, animadinhos para voltar pra casa. O stress do fim de semestre já tinha sumido e em seu lugar nasceu uma vontade louca de voltar pro nosso canto. Chegamos sábado de manhã, com uma lista imensa de coisas pra fazer: até seria ok fazer depois, mas para mim não porque é angustiante saber que o banheiro não tá limpinho ou que já tá dando pra morar dentro do armário de comida.

Os dias passaram rápido desde então. Trocamos alguns móveis de lugar, vimos filmes antes de dormir, descobri que não tinha dinheiro na conta para a NET realizar débito automático e corri pro banco pra pagar a fatura atrasada, minha sinusite voltou, fiz um caderno pra usar esse semestre, gastei 22 reais em uma caneta pincel que eu poderia receber de herança de tão linda e já passei mais cafés do que eu provavelmente deveria - tô tentando parar de tomar tantas canecas por dia. A rotina vem assim, devagarinho. Aos poucos tudo vai voltando ao normal, mas com uma cara diferente, novas ideias e planos.

Às vezes, a gente fica com medo de parecer criança porque um dia ensinaram pra gente que o certo é viver no automático - mesmo quando não é necessário. Aceitar que a gente não é super-herói e que a vida adulta não é uma coisa eternamente linear também faz parte do nosso amadurecimento. Forçar uma imagem super madura quando dentro da gente tá tudo confuso não significa nada. Percebi que ser adulta não tem a ver com ter emprego top ou ap mobiliado. Tem a ver muito mais com a forma com que eu lido com tudo isso. 

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 23 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo muito café. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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