sexta-feira, 30 de março de 2018

O que vem depois da euforia dos inícios?

arte: elizabeth barnett

Dia desses, enquanto passava um café, pensei em mim. Era fim de tarde. O pouco do sol que entrava pela persiana da cozinha aquecia a louça lavada sobre o escorredor de plástico. Derramei aos poucos a água fervente dentro do coador de pano, uma das pernas apoiada na canela. Senti que não havia qualquer lugar no mundo onde eu gostaria de estar naquele momento. 

Zona de conforto sempre foi um lugar no qual eu não me permitia estar. Logo eu, que sempre gostei desse clima meio 17h de casa de vó, com cheiro de café passado e novela das seis na tv da sala. Aqui em casa a gente não assiste tv, não por repulsa ou sei lá, mas porque o sinal analógico mudou pra digital e esqueci de resolver isso. Mas não era sobre televisão que eu queria falar.

Percebi, entretanto, que não há motivos pra mudar o tempo todo, sabe? Venho aprendendo, com a maturidade que os anos tem me concedido, a ver graça no que tenho e não apenas no novo. Tem me significado muito mais alimentar o que conquistei do que começar outra coisa do zero apenas pelo prazer dos inícios. Joutjout postou sobre isso hoje. Ela apontou que muita gente termina o namoro depois de dois anos - geralmente o tempo que leva pra dita paixão acabar - porque não sabe como lidar com o que vem depois. A gente não é treinado pra isso. 

Tem sido uma delícia cultivar cada pedaço que compõe quem eu me tornei. Dedicar minha energia para o aqui e agora - segura essa yoga de toda terça-feira, minha gente. Sentir o aconchego do barulho da chave girando na fechadura quando meu companheiro chega da aula, da tela do whatsapp brilhando quando minha mãe resolve fazer chamada de vídeo no meio da minha leitura acadêmica ou da ternura que sinto ao ler frases incríveis em algum livro e marcá-las. Não quero que mude. Hoje eu me permito ficar. 

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 23 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo muito café. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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