sábado, 3 de março de 2018

Para dormir mais felizinho consigo mesmo

Procrastinação. Palavrinha danada essa, né? Eu ouço e já dá um negocinho aqui no peito, uns formigamento, uma leve falta de ar. Talvez você também sinta isso e é por isso que resolvi compartilhar aqui o que me tem me feito parar de reclamar desse inferno que assombra nossas vidas-bonitas-organizadinhas. Tipo esses livros de autoajuda com capa brega - dos quais sou adepta, pois adoro.
hora de repassar a palavra da organização geradora da paz que tanto necessitamos
A primeira coisa que resolvi fazer quando voltei à rotina foi me negar a reclamar disso mais esse ano. Cara, tem uma hora que nem você mesmo aguenta a mesma reclamação todo dia. Era sempre a mesma coisa: eu me propunha a fazer certas coisas, perdia tempo fazendo outras coisas que eu nem queria estar fazendo, o dia acabava, não fazia quase nada que devia ter feito e ia dormir com a sensação de mas que caralho mariany de novo essa merda.

Quem me conhece sabe que eu não sou nem de perto dessa galera produtivona que adora converter cada segundo do próprio dia em algo que lhe dê retorno, na maioria das vezes financeiro - inclusive tenho ranço, não curto, afasta de mim. Porém, sempre senti que vivia deixando de fazer coisas que eu queria porque perdia um tempão rolando feed do instagram, entrando em links aleatórios e abrindo mil abas no navegador simplesmente porque não sabia lidar com meus pensamentos, nem com o excesso de informação que me cercava. 

No fundo, acho que procrastinar não é simplesmente deixar de fazer algo porque ficou sem fazer nada. Vai além disso: muitas vezes, deixei de fazer algo porque tava fazendo várias outras coisas e simplesmente não consegui focar.

Quer ver um exemplo? Eu sempre amei ler, mas recentemente meu ritmo diminuiu. Parte disso é por conta das leituras acadêmicas, que tomam noventa porcento do meu tempo de leitora, mas eu tenho consciência de que poderia separar um momentinho do dia pra ler algo que me desse prazer independentemente de faculdade, sabe? Eu sabia disso, mas deixava pra lá, fingia que não tinha tempo e ocupava todo espaço livre do dia com coisas que não me preenchiam - tipo os feed infinitos e cinquenta abas no chrome que já mencionei.


Eis então alguns hábitos que abandonei ou passei a ter:

Comecei a fazer minhas tarefas uma de cada vez. Parece ridículo, mas funciona. Se eu tô lendo uma notícia, é nela que vou ficar até o final. Chega de abrir link atrás de link pelo amor da deusa. Mesma coisa com texto impresso: se eu tô lendo essa caralha eu vou focar em cada parágrafo até terminar, sem parar pra compartilhar trecho legal nos stories ou checar no google se minha encomenda tá a caminho porque no texto da faculdade tava escrito 'envelope' e isso me remeteu ao porta-copos que comprei online e nossa tenho que parar de ler o texto pra averiguar rapidinho se ele tá chegando. Parece desesperador, mas acontecia toda hora, gente. Mas eu faço terapia, tá tudo bem.

Maneirei no café. É a minha bebida favorita, não só pelo gosto e efeitos que me causa, mas porque me dá um aconchego gostoso, especialmente quando passo em casa. Mas eu tô ligada que tem um certo glamour em beber café e que eu confesso que adotei pra mim, mesmo sem pensar. E o que isso tem a ver com procrastinar? Café me acelera muito e quando eu digo muito é realmente muito. Isso significa que, quando bebo exageradamente, eu oscilo entre querer publicar um livro e salvar o mundo - o que atrapalha a minha concentração. Não abdico dele, bebo todo dia, mas não mais na quantidade que eu bebia no semestre passado. Chega de depender de café pra ler texto da faculdade, pra assistir aula sem dormir, pra me sentir inspirada pra lavar louça. NÃO DÁ MAIS! Berrando mesmo pra ver se eu não mudo de ideia. Agora eu investi em chás, sucos diferentões e noites de sono bem dormidas.

Comecei a dormir cedo pra acordar cedo. Parece óbvio, mas não é. Vocês sabem que não. Eu sempre fui a desesperada que quer fazer tudo o que precisa fazer nos próximos quatro anos até o fim do dia. Sempre acho que vai dar tempo, que é só terminar aqui, finalizar ali, rapidinho, já vou dormir. Quando vejo são duas da manhã, eu tô cansada e não resolvi todos os afazeres dos próximos quatro anos. Isso também talvez não aparente ter relação com procrastinar, mas resolvi colocar aqui pelo seguinte motivo: não adianta fazer milhares de coisas ao mesmo tempo, ou perder um tempinho que você podia estar dormindo só pra fazer coisas que você sabe que poderão ser feitas no dia seguinte. Fazer um monte de coisa não significa nada. Mais importante do que isso é saber selecionar o que fazer e quando fazer. Agora eu simplesmente paro o rolê na metade, apago a luz e vou dormir, bem ousada mesmo.


Os resultados até agora tem me deixado muito orgulhosa de mim mesma. Nos últimos dias, antes de dormir, eu dizia internamente como eu fui ótima e dedicada. E mano do céu, que soninho gostoso que vem depois de um dia sem procrastinar e, principalmente, sem reclamar de ter procrastinado. Consegui ler cem páginas de um texto denso que achei que não fosse conseguir ler nem dez e tô me sentindo tão feliz! Um dos meus bloqueios na vida universitária era justamente ler texto atrás de texto com qualidade, atenção, vontade, enfim, fazer o negócio valer a pena, sabe? O que tem uma ajudado muito é estabelecer uma pequena meta antes de parar pra descansar ou fazer outra coisa - tipo, "se eu ler até tal página sem parar a menos que o mundo acabe, posso ver o whatsapp, ou qualquer recompensa aparentemente tosca".

Passei essa primeira semana de aula bem tranquila. Não só por ter feito a maioria das coisas que eu precisava, mas por ter aceitado que não deu pra fazer tudo e que tá tudo bem. Teve coisa que ficou meio mé, teve coisa que ficou foda demais e nessa a gente vai seguindo. Se na semana que vem eu voltar totalmente diferente e desesperada, a gente continua seguindo do mesmo jeito porque a vida é isso mesmo. Um dia a gente tá zen nada vai me estressar, no outro tamo querendo que todo mundo se foda, e é isso, vamo que vamo.

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 23 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo muito café. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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