sexta-feira, 6 de abril de 2018

Tenho um novo filme favorito e ele se chama Frances Ha

Faz dez minutos que o filme terminou e permaneço imóvel. A luz laranja do poste iluminando o quarto, o ventilador ligado no fraco. Eu? Com o notebook no colo, deitada na cama, tentando tirar com a língua aquela casquinha de milho de pipoca que resolveu se instalar bem no siso. Por fora, despreocupada; por dentro, surtando.


Sutil, leve, descontraído, divertido. Todo em preto e branco, Frances Ha (2012) é um retrato simples e fiel da transição para a vida adulta. Ele narra com delicadeza não só os perrengues financeiros típicos dessa fase, mas também as efemeridades inerentes à existência.

É um filme que nos pega pela mão e nos faz refletir sobre a falta de controle que possuímos diante do que nos cerca, seja da mudança de planos de uma melhor amiga ou da profissão que acreditamos ser a ideal e que nem sempre é.

Por meio de diálogos imprevisíveis e trilha sonora incrível, o filme retrata a angústia do não-pertencimento, que nos leva a buscar aconchego na casa dos pais e que após alguns dias nos mostra que aquele ali também não é mais nosso lugar.


Acompanhamos a trajetória de Frances esboçando sorrisos e balançando a cabeça em sinal afirmativo, como se soubéssemos exatamente o que ela sente. Aprendemos com ela a aceitar que ter 27 anos não significa necessariamente ter realizado todos os grandes sonhos, nem estabelecido seguramente alguma carreira; que amizades mudam e nem por isso deixam de existir; que é preciso confiar em si mesmo, aceitar ajuda quando necessário e valorizar cada conquista, por menor que pareça.

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Eu tô no chão com esse final. Que cena foi essa da Frances olhando pra Sophie, igualzinha à descrição que ela fez anteriormente sobre o relacionamento ideal? Eu me arrepiei todinha. Não tô podendo com esse filme. A única coisa que consegui pensar foi: É ISTO. 

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trailer

Frances Ha é o abraço que a gente precisa quando chega no limbo que há entre deixar de ser adolescente e se tornar o tal do adulto de verdade. Ao final do filme, a gente percebe que não há protocolo para ser gente grande, que maturidade a gente constroi e que experiência é questão de tempo.

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 23 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo muito café. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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