quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Escrevi no bloco de notas do celular enquanto esperava uma amiga no aeroporto

Saída do aeroporto, pessoas indo e vindo, malas de rodinha tilintando pelo piso de mármore. No saguão, próximo aos táxis amarelos, a imagem de Santos Dumont pintada em uma parede bem grande. 

- Olha lá! - Exclamou a voz de uma mulher a poucos metros de onde eu tava sentada. 

Achava que ela falava com alguém, mas logo vi que tava sozinha. De pé, a moça olhava sorridente, pela grande janela de vidro, o avião que pousava. Tava toda animada. Era uma mulher negra, magrinha. Tinha consigo duas sacolas (uma amarela, outra azul) no chão, perto dos pés. Vestia roupas simples, um pouco desbotadas; os cabelos ralos, presos num coque. 

Ficou uns dez minutos ali contemplando a pista de pouso. O sorriso foi se apagando e sua feição ficou mais séria, distante. No que pensava? Será que já tinha andado de avião? Ou só tava refletindo sobre coisas do dia? 

Quando saiu, uma sacola em cada mão, passou os olhos por mim e sorriu novamente. Achei bonito, fiquei até sem graça. 

Minutos depois, enquanto escrevia este texto, reparei que não era para mim que ela sorria: era para o mural da parede contra a qual eu me sentava, ilustrada com imagens do 14-bis e balões coloridos - em Paris.
estou voltando a escrever mais e tô muito feliz com isso. algo que tem me inspirado muito a voltar a fazer essa atividade que tanto amo é acompanhar a lili prata nas internets. 
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