sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

texto sem pé nem cabeça de uma jornalista recém formada em crise existencial

o ano virou e sinto como se eu sobrevoasse minha própria vida. tem sido difícil colocar os pés no chão. o futuro tem me assombrado na mesma medida que algo dentro de mim me motiva a caminhar até ele — ainda que eu saiba que o depois não existe, é uma ilusão.

me dei férias no meio de dezembro, depois de apresentar o tcc. e a sensação é que não saí mais delas, embora tenha voltado a trabalhar. talvez o fato de eu estar longe de casa tenha potencializado isso. talvez o fato de não ter mais casa. me sinto em um limbo. um limbo que gostaria que durasse menos do que vem durando.

não tô gostando do que escrevo. odeio usar a palavra 'isso' porque acho que não diz nada. parece que o final da graduação sugou toda a criatividade, toda a capacidade de formar frases gostosas de ler. mas algo em mim grita pedindo que eu escreva. meu diário segue em branco desde que o ano virou, mas lembrei que esse espaço chamado blog também pode servir para essa explosão de palavras. quem sabe alguém se identifique.

tenho tentado entender que não preciso de um propósito para fazer a vida valer a pena. mas é difícil. é que quando a gente se forma, a gente busca freneticamente uma forma de provar que fez a escolha certa. a gente deposita toda a necessidade de ter esse propósito em um emprego, uma profissão. logo eu, que nem pensava nisso, que sempre pareci me deixar levar. saudade de quando isso não me era vital.

também tem a universidade, né. me sinto desolada sem ela. apresentei o tcc e fim. não teve celebração, não teve abraço, não teve festa de formatura. ao mesmo tempo, aqui dentro tem uma leveza imensa por ter concluído essa etapa, por hoje ter todo o tempo do mundo depois de trabalhar, por não precisar me preocupar com pesquisa, reportagem que o professor pediu, leitura obrigatória, trabalho final. mas ainda não consegui aproveitar esse tal de todo tempo do mundo. ele me escapa. 

não consegui me inscrever em nenhum curso livre, nenhuma aula legal de escrita criativa (e olha que tem de monte). não pesquisei aulas de francês, nem voltei a tocar piano. parece que falta algo. é como se houvesse um espaço imenso entre quem eu sou hoje e o que eu gostaria de fazer. não sei porquê. 

meu amigo me disse que é normal. disse que eu não preciso ser a jovem jornalista brasileira em ascensão. disse para eu aproveitar para descansar. mas eu descanso um pouco e já quero fazer tanta coisa. tanta coisa que não consigo fazer. e nem terminamos janeiro ainda. não sei o motivo da pressa. 

sem contar que queria muito voltar a produzir conteúdo literário. até gravei podcast, só falta terminar de editar. mas não vai. publiquei um vídeo no canal sobre as melhores leituras do ano passado, mas me parece pouco. meu instagram nunca mais viu foto de livro no feed e não é porque não estou lendo. eu tenho lido coisas lindas, mas não consigo falar sobre elas. me sinto empanturrada de uma inspiração que não consegue sair de mim. queria tanto compartilhar com vocês o que tem feito meus dias bonitos.

essa semana eu assisti "soul", da disney. e como sou dessas que acham que tudo é pra si, tomei a mensagem do filme para mim e acolhi. tenho tentado aproveitar as pequenas coisas do dia, no mais clichê possível. passar meu café, correr no pátio do prédio, conversar com quem está perto de mim, fritar mandiopã para ver greys anatomy com a minha mãe, ficar até tarde vendo bbb no multishow. 

vou aos poucos. um dia por vez. acordando e buscando compreender que a vida é isso que acontece enquanto eu penso na melhor forma de viver. 

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