domingo, 27 de janeiro de 2019

Para desacelerar

De uns meses pra cá, um bloqueio criativo que parecia não ter fim resolveu andar abraçadinho comigo. Nada que eu criava parecia legal o suficiente e eu não entendia o porquê. Então, resolvi gravar um vídeo falando sobre isso, sem pretensão de produzir um conteúdo incrível, cheio das referências e imagens de apoio. Só apertei o rec e comecei a falar.

No meio da gravação, percebi que a causa do tal do bloqueio era o excesso de informação que tava chegado até mim, especialmente pelo instagram. Era algo que eu já vinha pensando - e que inclusive foi tema do último post -, mas só naquela tarde eu firmei as ideias na cabeça, sabe? O mais doido foi que teve gente vindo até mim agradecer pelo vídeo, porque também tava passando por aquilo e não fazia ideia. Teve uma moça que tava travada pra escrever a dissertação de mestrado porque não parava de buscar material. Teve uma que só digitou em caps lock dizendo EU TÔ DESSE JEITO. Teve gente que só disse obrigada.

Em geral, recebi comentários que foram abracinhos de pessoas que me acompanham e de outras que tinham acabado de chegar ali. Muitas dessas pessoas sugeriram que eu desacelerasse. É o que tenho feito desde então.

Das coisas que tem me auxiliado nessa jornada:

1. Ouvir Norah Jones no banho
Foi de férias na casa dos pais que eu caí em um ao vivo da Norah Jones, acho que no VH1. Lembro que ouvir suas músicas me deixou muito tranquila e resolvi procurar no Spotify pra ouvir com frequência. Algumas parecem aquelas de cd lounge de novela das nove, mas até essas acalmam. Acho muito chique botar essa cantora pra cantar enquanto eu tomo banho, passo meus creme no cabelo, faço meus skin care com sabonetes naturais, desses com cheiro de mato. Só não é mais chique do que fazer tudo isso ouvindo Billie Holiday (outra sugestão). 

2. Definitivamente, ficar menos tempo no instagram
Nunca fui a pessoa que fica horas rolando o feed ou vendo um monte de stories seguidos - até porque eu seleciono os que eu quero ver. O problema é que até os stories selecionados tem me dado ansiedade, então resolvi consumir menos. Não importa se é dica de livro legal, foto bonita de café, print de notícia importante pro país. Quanto menos, melhor.


3. Contar até dez antes de compartilhar algo nos stories
Da mesma forma que não quero consumir um monte de informação, não quero ser fonte de tonelada delas pra ninguém. Eu tenho um costume ruim de querer registrar tudo o tempo todo. O problema não é simplesmente compartilhar em si, mas interromper o momento pra isso. Rolava muito quando eu tava lendo algo e queria compartilhar certa passagem maravilhosa: eu parava a leitura, tirava a foto, na maioria das vezes editava, postava, enfim, eram ali dez minutos que eu poderia simplesmente ter grifado o trecho e continuado a ler. Devo falar que além de postar a foto eu acabava deixando o livro de lado pra continuar no instagram por mais vários minutos? Acho que não.


4. Essa playlist
Tava achando difícil achar playlist com músicas calmas que não fossem uns folks desconhecidos cantados por gente com voz de Andy. Tô adorando essa porque ela começa com Arcade Fire e tem várias coisas que nunca tinha escutado. Inclusive é o que tô ouvindo agora enquanto escrevo esse texto.


5. Esse vídeo
Eu vi esse vídeo enquanto fazia as unhas na semana passada e foi um momento muito agradável. Lembro que quando acabou, me senti muito leve e contemplada. Adoro as reflexões da Carol - fica de sugestão esse canal incrível sobre livros.

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