terça-feira, 17 de março de 2020

coronavírus & algumas reflexões

estar viva nesse momento da história me trouxe algumas reflexões. vou compartilhar com vocês.

dessa vez, isso que tamo vivenciando não é sobre uma greve que determinada parcela da população resolveu aderir. tem, claro, quem esteja correndo mais risco que outros, pelos mais diversos motivos, mas essa é uma situação que mexe com a vida de todos nós. 

percebem como esse caos tem nos botado à força no presente? a gente simplesmente não sabe mais o que vai acontecer amanhã, daqui a algumas horas. planejar coisas pra daqui a dois dias tem sido inviável, quanto mais para a semana seguinte. a gente, que pensava que tinha tudo na mão, de repente lembra que não tá tão assim no controle das coisas. medidas paliativas se tornam uma boia em que a gente se agarra pra não afundar no meio de tanta incerteza. pensar que foi necessário uma pandemia pra nos fazer lembrar disso é, no mínimo, assustador. tem uma frase da clarice lispector (sério, ela disse mesmo), do livro a paixão segundo g.h., que me ajuda a lidar com tudo isso: "o agora é o tempo inchado até os limites". 

tempos com esse nos lembram, também, do quanto não somos autossuficientes. a gente precisa um do outro pra seguir nosso caminho. tem muito da gente no mundo e muito do mundo na gente. olha só, até o ar que a gente respira é compartilhado. como a gente ousou se esquecer desse detalhe?

respira.

no meio disso tudo, tento manter a calma. me dá um negócio aqui no peito saber que não posso fazer absolutamente nada além de ficar em casa e aproveitar esse privilégio que a vida me ofereceu nesse momento - o que, por um lado, tem chances de me fazer ficar ainda mais angustiada, tendo em vista que falo do lugar de uma filha que soube hoje que o pai, que tem asma e tá perto dos sessenta, foi impedido de parar de trabalhar. 

tem muita coisa envolvida nisso que tem deixado a gente tão ansioso. e dar um passo maior do que podemos dar pode ser pior.

respira. 

Reducing anxiety won’t only make this difficult time more bearable, it will help keep you physically healthy and your immune system strong. (fonte: wired)

talvez, selecionar melhor a informação que chega até a gente possa ser uma boa. não tô dizendo só de fake news. tô falando daquele post que você viu pelo menos seis pessoas compartilharem no instagram em menos de duas horas. o mesmo post, para uma bolha de pessoas muito parecida com a sua. 

bora repensar se é mesmo necessário ser mais um a compartilhar algo sobre esse assunto nos stories, por exemplo? na boa, pensa comigo: a pessoa que se deparar com aquela informação realmente vai encontrá-la só ali, no seu perfil? por que a gente sente vontade de difundir essas notícias o tempo todo? será que não é mais interessante puxar papo com alguém no privado e perguntar o que a pessoa tá sentindo? quem sabe mandar uma fonte confiável para que essa pessoa se informe? 

costumo ler textos falando sobre como a gente sente necessidade de fazer parte dos eventos, sejam eles bons ou ruins. a gente quer deixar nossa marca, mostrar que tamo interessado, mostrar que se importa. parecer alheio, nesse momento, soa tão egoísta. mas será? 

vamos cuidar da gente. cuidar dos nossos.

respira.

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