quarta-feira, 6 de maio de 2020

os livros da minha vida

existe uma diferença entre ‘os meus livros favoritos’ e ‘os livros da minha vida’.

livro favorito tem de monte. sempre encontro um perdido por aí, caído no canto de alguma biblioteca. esses eu descubro por causa daquela frase bem construída, daquele enredo impecável, daquela vontade de berrar lendo, daquele parágrafo que me deixa pensativa por dias... virar sua última página costuma ser transcendental. dá aquela sensação de tempo bem investido, sabe?

o livro da vida vai um pouco além.
são como pessoas que te marcam a existência.  alguns permanecem. outros se foram, para o bem ou para o mal. mas continuam ali. o enredo da obra se mistura ao meu. não há demarcação entre ficção e realidade na medida em que, por meio de suas páginas, eu me deixo afetar. pensar. agir.

lembro o dia em que me apaixonei por bentinho. e me lembro, igualmente, do momento em que o considerei, anos mais tarde, desprezível. hoje, dele eu sinto pena. (capitu não o traiu).

lembro o abraço de vô me foram os versos de manoel de barros. a paz que isso me deu foi gigante no meio do trânsito das seis e meia. lembro que chorei no ônibus. 

eu me lembro de sentir clarice invadir minha mente como snape fez com harry potter nas aulas de oclumência. eu me lembro de observar clarice arrancar o mais profundo de mim. e me lembro de, através dos devaneios de g.h., ver eu mesma.

eu me lembro do dia em que o jornalismo se mostrou possível quando li a primeira reportagem da eliane brum que me veio às mãos, no começo do curso. 

eu me lembro de me identificar com miles e sua busca pelo grande talvez. eu me lembro, também, de torcer, a cada página, para ele beijar alasca. (na verdade eu queria que eles fizessem muito mais do que só beijar).

eu me lembro dos cem anos que vivi em macondo como uma convicta buendía. lembro, igualmente, como chorei quando o livro acabou e eu fui, para sempre, expulsa daquele lugar tão mágico. 

eu me lembro do sufoco que era saber que a família de liesel corria perigo por abrigar um rapaz judeu no porão de casa, no meio da segunda guerra mundial, na alemanha. e me lembro do quão me enterneci por aquela amizade. cogitei até mesmo roubar um manual do coveiro só pra ver no que dava.

a última lembrança que escolho compartilhar foi a que me abriu as portas para todas as anteriores. eu me lembro de como me envolvi com a jornada de pimpa que, aos treze anos, se viu sozinha no mundo. como foi boa aquela sensação! sentir aquela novidade, aos doze, bastou para que eu voltasse toda semana na biblioteca da escola. me trouxe até aqui. 

tais lembranças me vêm à mente todas misturadas, sem ordem cronológica, nem de importância.

pois bem. de importância não consigo criar ordem. mas cronológica eu posso criar.

eis os livros da minha vida, na ordem em que os li:

sozinha no mundo (primeiro que li);
dom casmurro (primeiro clássico que eu li, entendi e gostei);
a menina que roubava livros (esse a minha vó comprou pra mim na revistinha da avon);
quem é você, alasca? (oprimeiro livro que me fez chorar);
cem anos de solidão (macondo é o único lugar ficcional que me faz questionar se hogwarts é meu lugar inventado favorito);
o olho da rua (me mostrou que a palavra salva);
harry potter e as relíquias da morte (precisa dizer mais alguma coisa?);
livro sobre nada (o primeiro livro de poemas que me fisgou);
a paixão segundo g.h. (eu chorei abraçada com esse livro no começo do ano, como se tivesse encontrado eu mesma. pouca gente entendeu).

e os seus livros da vida, quais são?

transformei este texto em vídeo. clica aqui pra ver!

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