sexta-feira, 30 de julho de 2021

quando eu tô triste, eu me imagino em um show da francisco, el hombre pós-apocalipse

contei na terapia que envelheci uns oito anos nessa quarentena. é como se eu tivesse enfrentado o mais fundo de mim e, sem ter como fugir, lidado com ele. o resultado disso foi uma tremenda apatia diante do que me belisca. ao mesmo tempo, uma potência absurda de vida explode aqui dentro gritando para ser vivida. 

após sessenta e sei lá quantas semanas de isolamento, eu me sinto forte como nunca. conviver sozinha nesses últimos meses, especificamente, me modificou de um jeito que eu não previ. porém, se eu pudesse escolher, não teria vivido nada do jeito que foi. doeu demais. acho bonito esse papo de reencontro com a essência, de descobrir hobbies, de sei lá mais o quê, mas para mim foi horrível. eu fiz um esforço do caralho para ver beleza nos meus dias e continuo fazendo toda vez que gravo um story da mesma vista da janela pela décima vez na semana com música de fundo e filtro vintage. é quase como correr uma maratona. uma maratona que não acaba. 

num dia, a possibilidade de viver o que me espera me motiva e é por ela que eu sigo. noutro, só dá vontade de chorar. mas eu não posso me entregar. longe dos olhos alheios, sigo tirando força de cada pequena coisa que me põe de pé. boto uma da francisco, el hombre, troco de roupa, penteio o cabelo, passo um café. e enquanto a água ferve, respiro fundo diante da promessa de uma imunização que me demora a chegar. 

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